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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Qual é o esporte nacional?

Por Joelson Batista

Vamos parar para analisar os programas de esporte das emissoras abertas? Comece analisando a abordagem das matérias. Notou que a maioria procura uma abordagem mais descontraída para falar sobre esporte? Agora procure olhar a variedade de esportes, apresentados no programa. Percebeu alguma coisa?

Pois é, há muito tempo os programas de esporte das televisões abertas só procuram falar sobre o futebol, se um time ganhou ou se o outro está em crise. Falam de casos pessoais dos atletas do futebol, e os programas esportivos passam a ser futebolísticos. O público fica privado a saber só isso, a uma alienação as outras modalidades, as pessoas são forçadas a gostar do futebol, mas algumas vezes aparecem matérias de outras modalidades, aparecem sim, mas em um curto tempo, e muitas vezes de uma forma vaga. Por isso, esportes como o vôlei, que é o segundo esporte praticado no país, em certos lugares, tem tão baixa audiência em suas transmissões.

Mas venhamos e convenhamos em caso como o do programa Globo Esporte, vemos matérias sobre Fórmula 1 e agora sobre o UFC – Ultimate Fighting Combat, esporte que mescla artes marciais. Por que será? Se pensarmos nos investimentos feitos para as transmissões dessas categorias, teremos a resposta. Essas empresas investem uma fortuna para ter direito da transmissão desses eventos. A fórmula 1 é o esporte mais caro do mundo, é algo para poucos. Para que a população goste do esporte, vale até mesmo manter a imagem de Ayrton Sena, como um mito já que os atuais representantes não conseguiram sair do papel de “representantes” do nosso pais. Vendendo a imagem, conseguem um espaço cativo nas transmissões.

O UFC vêm tendo um crescimento extraordinário. No começo, ainda sobre a tutela dos Gracie, família brasileira que desenvolveu o esporte, valia “meros” 2 milhões de dólares e, nos dias atuais, o valores ultrapassam a casa de 1 bilhão de dólares. Agora dá para entender o porquê das recentes abordagens. As empresas da comunicação mostram aquilo que dará lucro, então não vai valer a pena mostrar tênis de mesa na televisão, pois não terá rentabilidade.

É claro que o esporte nacional é o futebol, isso cresceu a partir de mitos como Garrincha, Zagalo, Pelé, que no passado encantaram o mundo inteiro com uma ginga dentro de campo e levaram o nome do país a vários lugares do mundo.

Mas não custa lembrar que o Brasil é um país da diversidade, em que todos os esportes têm a sua vez e sua hora. Se falarmos que o esporte nacional é a sinuca, será a sinuca, não devemos deixar nossos gostos serem conduzidos pela indústria midiática.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O time é Santos ou é Neymar?

Por  Joelson Batista

Na manhã de quinta-feira,14 de dezembro, o time do Santos disputou a semifinal contra o time japonês Kashiwa Reysol. O Santos venceu por 3×1, sendo um gol de Neymar, um de Borges e o outro do lateral Danilo.

Interessante é notar a abordagem dada pela reportagem do Jornal Nacional sobre o fato. A manchete foi ”Santos vence com show de Neymar”. Mas quem assistiu à partida pôde perceber que o atacante teve o seu papel na partida, mas o time em si fez um papel muito maior na vitória. O engraçado é que ao falar sobre o primeiro gol de Neymar. Mostrou-se uma movimentação feita por ele, logo após mostraram o próprio falando o que pensou no momento do gol, tentando assim ressaltar a genialidade do garoto.

Quando o repórter foi descrever o segundo gol da partida, ao invés de comentar sobre a forma a qual o gol foi feito, eles se preferiram comentar que “o atacante Borges não tocou para Neymar, mas o mesmo estava ali por perto”. E para finalizar, sobre o terceiro gol, mostraram o “Astro” comemorando com o autor do gol Danilo.

Devemos perceber que há tempos, a Globo tem mostrando Neymar como o dono do Santos, o atleta que carrega o time nas costas, na verdade a um esquecimento das verdadeiras estrelas da equipe. O meio de campo Ganso tem um papel fundamental na articulação da equipe, além do goleiro Rafael, e outros jovens atletas iguais ou até mais talentosos do que o astro da equipe.

O que na verdade acontece com o Neymar, é que ele além de ser um bom jogador é um fenômeno midiático, nada naquele “garoto” é por acaso, existe uma empresa por detrás dele, como por exemplo a 9nine, do ex-atacante Ronaldo, fazendo o trabalho com a imagem do “astro”. É nítido o aumento de comerciais feitos pelo mesmo. Não custa nada lembrar o estreito laço entre o Ronaldo e a Globo, desde a época que o mesmo era atleta profissional, e o famoso narrador Galvão Bueno “enchia a bola” do atleta, mesmo ele indo mau em jogos. Acredite, nada é por acaso.

Por tanto, Neymar é o time do Santos? Ele o carrega nas costas? É isso que eles querem que acreditemos?