quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O Baile: o encantamento em forma de filme

Por Simone Santos

Luzes apagadas. Passos num salão enorme. Um simpático velhinho vai aos poucos ligando as luzes, a música e vai revelando ao público o surpreendente palco de um filme inesquecível.  Essa é a atmosfera do filme O Baile, de Ettore Scola. Este magnífico cineasta vem de uma escola de cinema das mais importantes e transformadoras, a italiana, e com sensibilidade e graça apresenta através da dança as vicissitudes, as transformações e as tensões da sociedade francesa, de 1936 até meados dos anos 80 do século passado.

Realizado em um único cenário, este filme inova não somente neste aspecto,  também não traz qualquer diálogo verbal, mas a linguagem universal dos sentimentos aquece e empolga qualquer espectador. O Baile traduz as relações humanas em gestos, sensações e expressões, que dão ao espectador a possibilidade de sentir aquele friozinho na barriga de quem tenta tirar alguém para dançar. Como é difícil, não?

O figurino, as sutis mudanças do cenário, os estilos de dança e claro, a aparência dos personagens dão a ideia da passagem do tempo e contam, ao mesmo tempo, um pouco da história da França, através da vivência daquele grupo de pessoas. A vida de cada um, ao longo do tempo foi se modificando, à sorte dos acontecimentos, da troca de poderes, de crises financeiras e políticas.

O Baile mostra-se como um microcosmo da realidade francesa, a evolução do país ao longo dos anos e as principais interferências culturais sofridas naquela sociedade, que tinha nos personagens sem nome, sem história “pessoal”, os representantes daquelas transformações. Eles eram o espelho do povo, de um povo que acredita no amor e nos ideais revolucionários.

O diretor, Ettore Scola
História a parte, O Baile é um adorável convite à diversão, ao riso, à emoção, pois esta não falta em nenhum momento e faz cada um mergulhar na história imaginada para cada personagem, a torcer por sua felicidade, a ver um final feliz. O Baile não se encerra em si mesmo, ele continua, perpetuando as esperanças na memória de quem vai pra casa ao final da festa ouvindo ainda aquela música que tocou no início de tudo.

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