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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A internet como espelho e fonte

Por Alisson Leandro

A atual era da informação e comunicação onde as pessoas estão expostas as mais diversas formas de conhecimento e idéias, onde todos os acontecimentos são noticiados em tempo real, e as delimitações de barreiras físicas não impedem o acesso e intercruzamento de cultura entre povos, vem sendo sustentada pelo hibridismo que ocorre entre os meios e tecnologias da comunicação. Essa convenção é justificável à medida que tradicionais mídias que antes eram soberanas nessa esfera comunicacional começaram a perder seu espaço decorrente do desenvolvimento e popularização da internet nas sociedades. Para tanto, foi preciso rever as formas pelas quais TV e rádio, por exemplo, operavam no que se diz respeito aos vínculos de contato direito e participação com os telespectadores e ouvintes. A medida encontrada não poderia ser mais plausível se não a conexão entre eles, em vez de um ineficiente embate entre os mesmos onde muitos só tenderiam a perder sua parcela de audiência. O suporte comum para isso vem sendo a internet, cada vez mais soberana entre as demais mídias e que também não deixa de levar consigo as especificidades das demais. É dela de onde vem sendo extraído boa parte do conteúdo veiculado nos grandes meios e das idéias de relação entre a mídia e o consumidor final, geralmente pautada na interatividade, característica e virtude máxima da internet.

Recentemente em várias entrevistas concedidas devido ao lançamento de seu livro, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o “Boni”, quem muito contribuiu para a implementação do atual modelo de televisão brasileira, ressaltou, quando perguntado, que a renovação da forma de operação de conteúdo de meios como a Tv é cada vez mais necessária e urgente, onde essa reestruturação passa fundamentalmente sobre o viés da ligação direta entre as mídias. De fato, não é possível ver um futuro longo para as grandes cadeias de rádio e tv se a referência não passar a ser a internet. Talvez o grande dilema a ser debatido é sobre a forma pela qual os tradicionais meios vão refletir as singularidades presentes na web e trazê-las para si. Para tanto, maneiras experimentais estão sendo testadas, em alguns casos até com significativa eficiência e resultado, mas ainda de um jeito tímido e pouco completo. Essa renovação precisa ser constante para de fato ser sustentável e atrativa, ela precisa percorrer diferentes caminhos e atender cada vez mais sua audiência.

A quem interessar, o destino do cineasta


Por Simone Santos

Escrevendo sobre o filme O Baile, de Ettore Scola, esbarrei com o blog de André Barcinski, Uma Confraria de Tolos, no qual ele comentava a decisão deste magnífico diretor em se afastar definitivamente do cinema. A notícia é de setembro de 2011, mas acende um alerta sobre o destino desta “indústria” cinematográfica e o que ela pode oferecer ao público hoje em dia e àqueles que fazem dela um ofício.

Vale a pena conferir:

André Barcinski – Uma Confraria de Tolos

A rádio ressurge

Por Alisson Leandro

Com o constante desenvolvimento de novas tecnologias e ferramentas da comunicação e entretenimento, são muitas as opções de aparelhagem e suportes para a disseminação de conteúdo em massa. Houve uma época em que acreditava-se no desaparecimento de determinados meios em decorrência do surgimento de outros, algo que não ocorreu devido a capacidade dos veículos informativos de se reinventarem e procurar estabelecer mecanismos que os mantenham atualizados em seu contexto temporal.

Com o rádio não foi diferente. Mesmo inserido em um século onde a disputa pela atenção de público acontece de maneira mais acirrada devido a uma concorrência pautada no visual e na interatividade, ele consegue manter fiel a parcela social que o acompanha, e ainda atrair significativa atenção de ouvintes que cresceram já na era da web. Essa revisão da maneira passível em que se encontrava o contato do rádio com a população foi mais que necessária tendo em vista que sua presença e importância societária viam-se ameaçadas. Hoje, após essa reestruturação em sua forma de falar e interagir com as pessoas, acontece por intermédio de suportes de grande importância e visibilidade o nascimento de um modelo muito mais dinâmico e contemporâneo de fazer produtos radiofônicos, pautado na praticidade e comodidade, onde o ouvinte consome o conteúdo do veículo radiofônico por intermédio de outros meios que também o possibilita participar da programação sem se desligar do universo online.

O rádio consegue manter em segredo uma magia e singularidade bem especiais, que o faz indispensável na vida ou momentos de muita gente, sendo o mesmo um fiel parceiro para diferentes horas ou situações. Entretanto, sua nova roupagem o possibilitou continuar notável entre as novas e tradicionais mídias, e o atualizou perante uma geração exigente que não se encaixa mais nos padrões de outrora, onde conseguir atrair e manter a atenção da atual juventude se caracteriza como uma difícil tarefa da qual o rádio mostra-se ainda ter fôlego para enfrentar.

Prêmio Nobel da Paz – Ellen Sirleaf

Por Luize Beatriz,

O premio Nobel da Paz do ano passado foi bastante comentado, pois foi divido para três mulheres consideradas “desconhecidas” a nível mundial, mas que executavam importantes trabalhos nos seus lugares de origem. Uma delas é a Ellen Johnson Sirleaf, de 72 anos, que foi a primeira mulher a ser livremente eleita presidente de um país africano, em 2005.

Acompanhe abaixo um documentário feito pelos alunos do 6º semestre de Comunicação Social da UESC, sobre e a historia de Ellen Sirleaf.

Teoria X Realidade: O que muda nas rádios locais?

Por Luize Beatriz

A realidade das rádios locais é diferente da discutida teoricamente na sala de aula pelos alunos e professores nos cursos de Comunicação. As rádios na teoria possuem setores de produção bem definidos, com pessoas específicas para cada função, mas, ao contrário disso as rádios locais encontram muitas dificuldades para se manterem no ar. Cabe, portanto, a cada um deles o trabalho de pesquisar, checar o estúdio, organizar os assuntos a serem divulgados e ainda fazer a locução do programa ou dos programas pelo qual é o responsável.

 Quem pôde ilustrar bem esta realidade foi o radialista J. Carlos, que apresenta o programa Balanço Total na Rádio Santa Cruz, situada em Ilhéus e está no ar há 52 anos. A partir de sua entrevista foi possível conhecer como é o contexto de trabalho dos profissionais dessa área e refletir o quanto eles estão vulneráveis aos anseios partidários e de grupos privados que quando não utilizam o espaço da emissora, tentam submeter por diversos meios os locutores aos seus desejos.

É notável a precariedade que caracteriza o dia a dia das rádios locais principalmente pela dificuldade financeira que as emissoras enfrentam. Isso acarreta no acúmulo de atividades no processo de distribuições de cargos dentro de uma Rádio, fazendo com funcionários exerçam diferentes tarefas para ocupar o vazio de um profissional em determinada área. A falta de dinheiro faz também com que as emissoras vendam seus espaços a setores terceirizados, mesmo que isso lhe custe à perda de patrocinadores. Tem sido muito comum as emissoras terceirizarem suas madrugadas às Igrejas evangélicas que, portanto, comandam toda a programação neste horário.

A teoria não está completamente equivocada, pois, esta divisão bem especifica de cargos e funções ainda é comum nas grandes rádios nacionais. Por outro lado, não é completamente ruim o acúmulo de funções nas rádios locais, pois, a partir do momento que eles experimentam também outros cargos, isso só serve de acréscimo para o seu currículo profissional, estando apto, portanto, a várias funções caso pretenda seguir carreira em uma emissora de rádio maior.

TV UESC: Uma TV Regional

Por Simone Santos 

A TV UESC, projeto experimental de televisão universitária, surgiu em 2004 com o intuito de otimizar a comunicação entre os segmentos da universidade, alunos, professores e funcionários. Além da comunicação interna, a TV UESC objetiva proporcionar ao aluno do Curso de comunicação Social – Rádio e TV, da Universidade Estadual de Santa Cruz, uma experiência na produção e veiculação de produtos para a televisão. Seu caráter experimental ofereceu, desde sempre, uma liberdade na criação de uma linguagem audiovisual própria, com produtos que mostrassem a UESC como é e a região da qual a universidade faz parte. É neste ponto que a TV UESC se destaca. Como uma televisão experimental, a TV UESC tem liberdade de criar novos padrões de linguagem audiovisual, ressignificando valores, transformando a linguagem audiovisual que está posta. No que se refere ao aspecto regional, outra característica das tv’s universitárias é o distanciamento de pressões referentes a interesses comerciais e políticos, fazendo com que seus conteúdos sejam direcionados para a educação, cultura e informação.

Desde 2004, muitos alunos fizeram parte das equipes que desenvolveram a linguagem e a característica da TV UESC, de experimentação e representação cultural regional. A TV UESC é parceira do Canal Futura, da fundação Roberto Marinho, e tem compromisso com o desenvolvimento regional, com a promoção da cultura, da identidade local e a socialização dos bens do conhecimento, gerando e difundindo informação. Hoje a TV UESC continua com seu trabalho de inovação da linguagem audiovisual, pautando a região sul da Bahia, fonte de inspiração para notícias, programas e produtos ficcionais.

Assista a TV UESC!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A gota d´água!

Por Leandro Carmo

Não é de hoje que as organizações Globo e outros setores midiáticos de massa ou que se conceituam ‘elitizados’, recorrem ao seu espaço estabelecido na sociedade para disseminar ideologias próprias ou controlar/manipular interesses maiores – como políticos e econômicos. Na nossa história, até na mais recente, há exemplos práticos disso.

Aqui, vou me ater à tentativa esdrúxula de subestimar a inteligência humana através dos fundamentos mais incoerentes e evasivos já vistos em prol de um objetivo. Refiro-me a campanha encabeça por atores globais intitulada “Gota D’água”, onde sua finalidade é o de recolhimento de assinaturas no intuito de sensibilizar a presidenta quanto as obras da usina hidrelétrica de Belo Monte. Como ferramenta para isso, foi utilizada a internet, o meio de maior propagação de idéias no presente século, que acumula justamente a classe onde, teoricamente, são de jovens que se deixam levar por um primeiro impacto, nem que esse seja um rostinho bonito fazendo bico. Para isso, os alvos foram as redes sociais, possíveis “antros” dessa espécie humana citada acima. No vídeo em questão, é notória a falta de criatividade que parece ser inerente aos produtos “Globo”, que sempre se apropriou do jeito estadunidense de fazer televisão para formular seus programas no Brasil. Sua ideia é uma cópia descarada e tendenciosamente vagabunda de uma criada por atores de Hollywood, na última eleição dos EUA, onde objetivava convocar eleitores a votar ( veja o vídeo ). Contudo, o estarrecedor fica a cargo da própria cara de pau dos atores em disparar gigantescas pérolas com um certo ar irônico e de indignação tentando provocar a mais profunda revolta em quem assiste ao vídeo, de um modo que nem o Holocausto sensibilizaria tanto. Em sua coluna online no portal da Veja, Reinaldo Azevedo analisa, aponta e esclarece de maneira plausível as “histórias de pescador” relatadas nos poucos mais de cinco minutos de vídeo. (Leia a crítica)


Mais recentemente, a emissora carioca dedicou toda uma edição do seu repetitivo programa “Globo Repórter” para bater na tecla de uma alucinógena ideia de devastação da Amazônia, com imagens de áreas preservadas e ricas em suas biodiversidades. As chamadas do programa já referiam-se a posição contrária da emissora em relação a Belo Monte, com um texto off onde mencionava “o que pode sumir com a construção de uma hidrelétrica” erroneamente dando a atender aos menos avisados que o local em que apareciam as imagens não se trata do mesmo onde será implantada a obra. O que de fato a TV Globo precisa compreender em sua total dimensão é a que a sociedade brasileira que se configura atualmente é diferente daquela de outrora que definia seu chefe de Estado em caráter de um único debate. Ainda que hoje ela procure estabelecer suas ideologias e visões através de mecanismos mais contemporâneos, o acesso as diferentes ferramentas que nos estão disponíveis permite um maior esclarecimento e disseminação de ideias – sejam elas contrárias ou favoráveis – relevante para um ambiente passível de um posicionamento que nasça de conclusões próprias em contraponto a direcionamentos já pré-fabricados.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Uma brecha para o cinema nacional

Por Simone Santos

Com o fim da temporada dos seriados produzidos pela Rede Globo, a programação desta emissora começou a exibir, pelo menos neste início de ano, o Festival Nacional, que nada mais é que a exibição de filmes nacionais no horário das séries, após a novela das nove horas.

A iniciativa é interessante, visto que na emissora citada poucos são os filmes nacionais exibidos na programação durante o ano. A maioria é de origem estrangeira e, muitas vezes, longe de serem filmes de qualidade. Quantas e quantas vezes não vemos séries como “American Pie 1, 2, 3…”, “Todo mundo em Pânico” e suas variações? A “brecha” é importante, mas não suficiente. Ainda assim, vamos a ela.

O Festival Nacional trouxe às telas pelo menos dois grandes filmes,  Salve Geral e Era uma vez, que tocam em temas semelhantes, mas sob visões completamente diferentes: o crime organizado e a violência urbana. Salve Geral, dirigido por Sergio Rezende, exibido na quarta-feira, conta a história de um jovem que, após sair com o amigo se envolve em um crime e vai preso. Sua mãe, viúva, tenta a todo custo tirá-lo da cadeia, mas se depara com a organização Primeiro Comando da Capital, o PCC, quando esta inicia uma onda de ataques à policiais em São Paulo.

Salve Geral, começa com uma trilha impactante. Esse primeiro contato suga de vez a atenção para um filme que requer somente um fôlego do espectador: a sucessão dos fatos, as “cismas do destino” vão conduzindo os personagens sem que estes tenham tempo de mudar a direção, de optar. São lançados às mais diversas situações, que transformam de maneira irremediável suas vidas. Salve Geral apresenta uma possível “visão do outro lado da história”, para explicar a vida e os fatos que marcaram aquele período da história de São Paulo.

Era Uma vez, do diretor Breno Silveira, exibido na sexta-feira, tem as mesmas linhas atrativas: os personagens são conduzidos por um destino implacável. Eles se deixam levar por suas vontades, suas paixões, mas os contextos que os separa, a classe social, e um ainda maior, a atmosfera de violência urbana que os envolve, se mostram maiores que os anseios de cada um. O filme é uma espécie de Romeu e Julieta brasileiros; as referências trágicas na história nos remetem, indiscutivelmente, à história clássica escrita por Shakespeare.

A vida está por um fio a todo instante. O espectador nunca sabe o que esperar das ações dos personagens. Eles são conduzidos pelo destino, sem ter o controle das próprias vidas. Claras referências às tragédias gregas, não se sabe se de maneira intencional. Dois grandiosos filmes que criticam a sociedade brasileira, especialmente a dos dois grandes centros do país, Rio de Janeiro e São Paulo e suas diferenças sociais. Empolgantes e surpreendentes. Filmes para serem vistos de um fôlego só.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O Baile: o encantamento em forma de filme

Por Simone Santos

Luzes apagadas. Passos num salão enorme. Um simpático velhinho vai aos poucos ligando as luzes, a música e vai revelando ao público o surpreendente palco de um filme inesquecível.  Essa é a atmosfera do filme O Baile, de Ettore Scola. Este magnífico cineasta vem de uma escola de cinema das mais importantes e transformadoras, a italiana, e com sensibilidade e graça apresenta através da dança as vicissitudes, as transformações e as tensões da sociedade francesa, de 1936 até meados dos anos 80 do século passado.

Realizado em um único cenário, este filme inova não somente neste aspecto,  também não traz qualquer diálogo verbal, mas a linguagem universal dos sentimentos aquece e empolga qualquer espectador. O Baile traduz as relações humanas em gestos, sensações e expressões, que dão ao espectador a possibilidade de sentir aquele friozinho na barriga de quem tenta tirar alguém para dançar. Como é difícil, não?

O figurino, as sutis mudanças do cenário, os estilos de dança e claro, a aparência dos personagens dão a ideia da passagem do tempo e contam, ao mesmo tempo, um pouco da história da França, através da vivência daquele grupo de pessoas. A vida de cada um, ao longo do tempo foi se modificando, à sorte dos acontecimentos, da troca de poderes, de crises financeiras e políticas.

O Baile mostra-se como um microcosmo da realidade francesa, a evolução do país ao longo dos anos e as principais interferências culturais sofridas naquela sociedade, que tinha nos personagens sem nome, sem história “pessoal”, os representantes daquelas transformações. Eles eram o espelho do povo, de um povo que acredita no amor e nos ideais revolucionários.

O diretor, Ettore Scola
História a parte, O Baile é um adorável convite à diversão, ao riso, à emoção, pois esta não falta em nenhum momento e faz cada um mergulhar na história imaginada para cada personagem, a torcer por sua felicidade, a ver um final feliz. O Baile não se encerra em si mesmo, ele continua, perpetuando as esperanças na memória de quem vai pra casa ao final da festa ouvindo ainda aquela música que tocou no início de tudo.

Reality Shows: merecemos isso?

Por Simone Santos

Qual a finalidade de um Reality Show? Didaticamente falando, nenhuma, como já percebemos durante os anos a fio pelos quais somos bombardeados por uma infinidade deles. O entretenimento não “se faz de rogado” e para ele tudo vale, basta ter alguém que ligue a TV e se interesse pelo que está sendo exibido.

Novos participantes do BBB 12
O entretenimento do tipo “reality” toca profundamente na característica humana de “olhar a vida alheia”, centrando aí o sucesso com que há anos ganham mais e mais audiência. Este ano não será diferente, pois estamos às vésperas do TÃO aclamado BBB12 (é esse mesmo? Já perdi a conta… Ah, fui no G1, é o 12 mesmo) e, para completar, no time das bizzar… deste tipo de programas, no canal Bandeirantes, esteou o Mulheres Ricas!

Mulheres Ricas, o novo reality
show da TV brasileira 
Eu confesso que não havia pensado em um reality desses aqui no Brasil. Sei lá, parece que esse tipo de “grupo” não se daria ao trabalho de expor suas intimidades nessa proporção. Ou mais até: como se não tivesse gente que se assumisse TÃO RICA no Brasil… Ledo engano. Esta era, pelo menos até agora, a última barreira da vaidade dessas pessoas, que terá todo um país para “admirá-las”.

Gosto do público? Nãaao. Esse coitado, até hoje, nunca opinou na elaboração de nenhum programa na TV brasileira (alguém conhece algum?). Patrocinadores? Seeempre… Hoje todo mundo que tem dinheiro pode ter seu lugar ao sol na TV comercial. Quem se salva nessa história? Sei lá, acho que já passou da hora de se assistir esse tipo de programa com “olhares críticos”. Hoje tudo se trata somente de dividendos, exposições de produtos, “merchan”.

Quem quiser arriscar mais um ano de “estudo” dessas produções, pode se sentar à frente da TV e avaliar qual será a novidade deste ano (um jarro na sala do BBB, um casaco de pele novo da socialite). Quem não quiser arriscar, terá ótimas opções em outros canais, livros, teatro, filme em DVD, que seja. Só terão que resistir à grande massa, que hipnoticamente estará falando disso em todas as esquinas, redes sociais, site de notícias, mídias tradicionais. É possível ir contra a maré? Acho que sim… mas tem que ter muita força de vontade!

Sugestões:  

 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Jornais Regionais?

Por Simone Santos

Como caracterizar um jornal, um periódico, como regional? Essa definição, um tanto crua, nos oferece a nomenclatura, e quem sabe as ferramentas, para podermos entender sobre o jornal que lemos em nossa cidade, e até mesmo sobre quem o lê junto conosco (ainda que espacialmente separado).
O jornal impresso foi o meio de comunicação pioneiro da nossa região e seu papel de falar do nosso dia-a-dia, do que está mais próximo das pessoas daqui, só aumenta a sua importância na nossa representação. Mas será que, de fato, essa representação existe? E qual seria ela? Esses aspectos aguçaram a minha curiosidade, especialmente sobre os jornais que circulam na região e que têm sede em Itabuna e Ilhéus.

Ao analisar alguns jornais impressos da região, seu aspecto gráfico, até mesmo sua tiragem, percebi que a nomenclatura regional não se aplicasse a maioria deles, talvez todos.

As reportagens e as colunas abordam quase que exclusivamente às sociedades do município sede desses jornais. Pela tiragem, por exemplo, somente um dos cinco jornais impressos que existem nas cidades citadas apresentam o número dos exemplares, cerca de cinco mil. Os outros não se atreveram a informar, em sua página, ou não quiseram. Esse número, tomado por base, serviria para uma região? Só essa tiragem não daria conta nem mesmo das cidades sede desses veículos.

Os jornais que circulam na região não conseguem mostrar de maneira sistemática aspectos dessas sociedades, priorizando notícias relativas a fatos policiais e press releases das prefeituras. Essas instituições municipais têm uma forte ligação comercial com esses veículos, os quais servem unicamente para divulgação de ações positivas aos governos atuais.

Esse é o tipo de informação que contempla a sociedade regional? Textos pré-editados nas assessorias, informações que em nada acrescentam na vida do cidadão comum? O que se pode perceber é que a região, em si, não é contemplada com pautas que façam com que ela se reconheça.

O universo abordado não é tão amplo como o que se pensa: apesar de importantíssimas comercialmente, Ilhéus e Itabuna NÃO SÃO a região inteira e sua influência chega a apagar da memória jornalística a presença de outros municípios, suas histórias e culturas nos jornais. Nós “lemos” Itabuna e Ilhéus, não uma região.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Até breve, Fátima!

A jornalista passou a bancada à colega Patrícia Poeta
Por Genisson Santos

Depois de praticamente crescer vendo e ouvindo o “boa noite” do casal número 1 do telejornalismo brasileiro, uma “separação” (não conjugal, mas de bancada) quebrou essa tradição, que já durava 14 anos. O sentimento é de uma espécie de perda; de que algo está faltando.

A jornalista e apresentadora do Jornal Nacional, Globo, Fátima Bernardes se despediu nesta segunda-feira (5), da bancada do diário para se dedicar a um projeto pessoal. Vai apresentar um novo programa, ainda mantido sob segredo de justiça por ela e pela cúpula da TV Globo. Com certeza com o objetivo de aumentar ainda mais a curiosidade do público, que se perguntou: “como assim?”, ao ouvir na sexta-feira (2), da própria jornalista, que iria deixar o jornal.

E para onde irá a mãe de tantos brasileiros e brasileiras?

"Não é a mamãe, não é a mamãe!"
Maternal. Este era o sentimento, até então passado pelo Jornal Nacional, ao entrar nas casas das pessoas na figura de um casal que parece, realmente, ter nascido um para o outro. Sintonizados até na profissão. Agora ela se vai.

Mas, como toda mãe cuidadosa, deixou tudo arrumado para que a casa continue em ordem. E, em um papo de comadres, quase nunca antes visto na história do JN — tão preso ao formalismo e seriedade –, passou o posto (ou a cadeira) à também competente Patrícia Poeta. Mas aqui pra nós, o sentimento de ausência persiste. Afinal, como diria o pequeno aí ao lado, “não é a mamãe, não é a mamãe!”.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Mosaico baiano ou soteropolitano?

Por Luíse Beatriz

Criado com o propósito de ser de fato um mosaico de noticias referentes à cultura baiana como um todo, o programa Mosaico Baiano entrou no ar no dia 07 de julho de 2007, sendo exibido aos sábados no horário das 14:00h pela Rede Bahia, afiliada da Rede Globo com a apresentação de Alessandro Timbó. O programa é caracterizado dentro da linha do entretenimento, com uma linguagem jovem que é proposta através das edições, e que tem como foco a cultura da Bahia. O programa objetiva mostrar tudo o que diz respeito a filmes, música, jeitos de vestir e falar, peças teatrais e sobre a culinária da Bahia.

Inicialmente, o Mosaico começou sendo apresentado apenas em estúdio, com um cenário que lembrava uma praça, justamente para fazer uma alusão de espaço amplo, de cidade. Posteriormente o apresentador passou a ir para as ruas e fazer a apresentação a cada sábado de um ponto turístico diferente de Salvador. Além da câmera principal, há a gravação de uma câmera secundaria que funciona como gravação de making-of que também é veiculado. Há uma mescla das imagens da câmera principal e da secundaria a todo o tempo.

Apesar de o programa ser simples e de qualidade, a problemática em questão é justamente que não são mostradas a todo o tempo características de toda a Bahia e sim da cidade de Salvador e sua região metropolitana. As demais regiões baianas têm certa dificuldade de identificar-se com as noticias transmitidas, justamente porque não falam da sua região, da sua cidade, e sim, fazem referencia a capital. Isso causa um distanciamento, pois de acordo com o titulo do programa seria necessária abordar toda a Bahia, uma vez que o estado não se resume apenas à capital.

Por isso a pergunta que ecoa é: Mosaico baiano ou soteropolitano? O objetivo é mostrar o que se passa na cultura da Bahia ou da cidade de Salvador? O único quadro que divulga os shows no interior do estado é “Tá rolando na cidade”, que como o titulo mesmo diz, inicialmente era apenas para divulgar os eventos ocorridos na cidade de Salvador, e depois passou a falar também de outras localidades, apesar de manter o mesmo nome.

É um programa de fato feito com excelência, mas o mosaico proposto de fato só se dá a respeito de música, culinária, cinema na e da cidade de Salvador – e não das diferentes formas do baiano, a depender da sua região, de se comportar, pensar, se alimentar e vestir, que apesar ser dentro do mesmo estado tem sim as sua particularidades, e precisa ser mostrada, para que os baianos possam assistir a uma programação da Bahia e não somente de Salvador.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Jornal “O Estado de São Paulo” digitaliza todas as suas edições

Por Simone Santos

Seguindo uma tendência de importantes centros de cultura, como a Biblioteca Brasiliana, o Domínio Público, entre outros, o jornal O Estado de São Paulo concluirá em breve a digitalização de todas as suas edições, da fundação até os dias atuais.

É interessante pensar na possibilidade de ler o que se escrevia há tanto tempo atrás, especialmente pela possibilidade de se aproximar de uma época, maneiras de se pensar a notícia, de ver uma cidade, um país com olhares diferentes dos nossos.

Rever as edições de um jornal como o Estado de São Paulo, fundando em 1875, antes A Província de São Paulo, oportuniza aos novos leitores, diga-se “web-leitores”, aproximação com um meio de comunicação que cada vez mais é ameaçado pelo poder da internet em condensar em um único aparelho, o computador, milhões de informações, com mais rapidez e maior versatilidade.

Talvez com uma incoerência (internet vs jornais) o Estado de São Paulo mostre que o caminho é agrupar e condensar as mídias tradicionais com as novas plataformas da informação. Essa medida, tomada desde a popularização da internet, dá sustentação e novos rumos a publicações que estariam relegadas aos mesmos mercados consumidores e sem perspectivas de crescimento.

Mas, fazer valer a história e a tradição de um jornal, como o fez o Estado de São Paulo, reapresentando aos novos leitores um universo bem maior que um clique, acrescenta para o não só a possibilidade de pesquisa de informações antigas, mas traz à tona um passado de importantes contribuições à sociedade, através do jornalismo e daqueles personagens que fizeram suas histórias nas páginas do periódico.