quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Teoria X Realidade: O que muda nas rádios locais?

Por Luize Beatriz

A realidade das rádios locais é diferente da discutida teoricamente na sala de aula pelos alunos e professores nos cursos de Comunicação. As rádios na teoria possuem setores de produção bem definidos, com pessoas específicas para cada função, mas, ao contrário disso as rádios locais encontram muitas dificuldades para se manterem no ar. Cabe, portanto, a cada um deles o trabalho de pesquisar, checar o estúdio, organizar os assuntos a serem divulgados e ainda fazer a locução do programa ou dos programas pelo qual é o responsável.

 Quem pôde ilustrar bem esta realidade foi o radialista J. Carlos, que apresenta o programa Balanço Total na Rádio Santa Cruz, situada em Ilhéus e está no ar há 52 anos. A partir de sua entrevista foi possível conhecer como é o contexto de trabalho dos profissionais dessa área e refletir o quanto eles estão vulneráveis aos anseios partidários e de grupos privados que quando não utilizam o espaço da emissora, tentam submeter por diversos meios os locutores aos seus desejos.

É notável a precariedade que caracteriza o dia a dia das rádios locais principalmente pela dificuldade financeira que as emissoras enfrentam. Isso acarreta no acúmulo de atividades no processo de distribuições de cargos dentro de uma Rádio, fazendo com funcionários exerçam diferentes tarefas para ocupar o vazio de um profissional em determinada área. A falta de dinheiro faz também com que as emissoras vendam seus espaços a setores terceirizados, mesmo que isso lhe custe à perda de patrocinadores. Tem sido muito comum as emissoras terceirizarem suas madrugadas às Igrejas evangélicas que, portanto, comandam toda a programação neste horário.

A teoria não está completamente equivocada, pois, esta divisão bem especifica de cargos e funções ainda é comum nas grandes rádios nacionais. Por outro lado, não é completamente ruim o acúmulo de funções nas rádios locais, pois, a partir do momento que eles experimentam também outros cargos, isso só serve de acréscimo para o seu currículo profissional, estando apto, portanto, a várias funções caso pretenda seguir carreira em uma emissora de rádio maior.

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